segunda-feira, 16 de junho de 2014

NÚMEROS DE ACIDENTES PREOCUPA PROFISSIONAIS DA AVIAÇÃO AGRÍCOLA


Número de acidentes preocupa profissionais da aviação agrícola Tadeu Vilani/Agencia RBS
A frota brasileira de aviões agrícolas é de 1,9 mil unidades — a segunda maior do mundo, atrás dos Estados Unidos Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS
 
As supersafras obtidas no país nos últimos anos são reflexo, em parte, do uso de técnicas que levam ao aumento da produtividade, entre as quais a pulverização aérea de lavouras. Com mais aeronaves sobrevoando campos Brasil afora, aumentou o número de acidentes e a preocupação do setor com a segurança na aviação agrícola. 

Em 2013, foram registradas 31 ocorrências no país, de acordo com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) — 181% a mais do que em 2009. No Rio Grande do Sul, foram oito ocorrências no ano passado, alta de 167% em relação ao registrado cinco anos antes.
O elevado número de acidentes preocupa o Sindicato das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), que terá a segurança como foco do congresso a ser realizado em agosto, em Foz do Iguaçu (PR). Francisco Dias da Silva, secretário do sindicato, ressalta que uma das bandeiras da entidade é ter regras mais rígidas para a formação de pilotos. A sugestão, já encaminhada à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), é a ampliação do número de horas práticas para a formação de piloto agrícola, das atuais 370 para 500.
— Pela característica da atividade, o piloto precisa voar muito baixo e tem menos tempo de reação em caso de problemas, o que aumenta os riscos — explica Dias.

Outra iniciativa para reduzir os acidentes é a recém-criada Certificação Aeroagrícola Sustentável (CAS). A ideia é reforçar o cumprimento de todas as recomendações de segurança por parte de empresas, agricultores e profissionais.
— Nem todos executam corretamente o planejamento de solo, o que pode evitar colisão com a rede elétrica, causa frequente de acidentes — exemplifica Wellington de Carvalho, professor de mecanização agrícola da Universidade Federal de Lavras (MG) e um dos idealizadores da certificação.

Violação de regra é causa de 15% das ocorrências
Levantamento do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos da 5ª Região (Seripa V) mostra que 15% dos acidentes na aviação civil têm relação com normas não cumpridas. É esta também a realidade da aviação agrícola no Estado, alerta Carlos Barboza, tenente-coronel do Seripa V, responsável pela Região Sul.

— Sem seguir as recomendações do fabricante sobre o peso carregado, por exemplo, o piloto pode fazer uma manobra com cálculo errado de inclinação. Isso pode ser fatal. É muito frequente a violação de regras, até mesmo básicas, por algum dos envolvidos na operação — lamenta o militar.

No caso específico da aviação agrícola, 60% dos ocorrências têm relação com manobras feitas em baixas alturas, perda de controle do voo ou falha do motor, ressalta Barboza:
— O famoso jeitinho brasileiro agrava a situação. Há muita gente que, mesmo estando fora do prazo de revisão do equipamento e sabendo, se arrisca e deixa para fazer isso depois da safra.

A expansão e as regras da atividade
A frota brasileira de aviões agrícolas é de 1,9 mil unidades — a segunda maior do mundo, atrás dos Estados Unidos, que contam com aproximadamente 5 mil aviões. Por aqui, o número de aviões foi ampliado em cerca de 30% desde 2008, quando o Brasil contava com 1.447 aviões no Registro Aeronáutico Brasileiro, da Agência Nacional de Aviação Civil.

No ranking dos Estados, a maior parte da frota está localizada em Mato Grosso, com 446 aviões. Em segundo lugar está o Rio Grande do Sul, com 411 aeronaves, seguido de São Paulo (268), Goiás (234), Paraná (138) e Mato Grosso do Sul (95).

Para atuar na área, é preciso fazer o curso de piloto privado (o que habilita a realização da atividade como hobby) e, em seguida, o de piloto comercial (que permite trabalhar em companhias aéreas). Somente depois dessas etapas é possível se matricular em um curso de piloto para aviação agrícola.
Cerca de 24% das pulverizações nacionais são feitas por aviões, em culturas como soja, algodão, milho, arroz, cana-de- açúcar, feijão e trigo.

O sistema tem como benefícios a redução de custos (evita o amassamento dos grãos, que em algumas lavouras pode chegar a 8% da colheita) e é uma opção para o tratamento de pragas e fungos em situações críticas, como em terrenos lamacentos (épocas de chuva), lavouras altas ou áreas alagadas, como de arroz.

fonte/foto/G1

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