domingo, 5 de janeiro de 2014

SOMOS TRATADOS COMO ANIMAIS, DIZ BRASILEIRO SEM VOO EM NOVA YORK

Nevasca nos EUA atrapalha retorno de brasileiros ao país

Brasileiros estão presos no aeroporto JFK, em Nova York, desde a última quinta-feira (2), na tentativa de embarcar para o país. Com remarcações e cancelamentos de voos, as pessoas dormiram no chão do aeroporto, tiveram problemas médicos e momentos de tensão com representantes das companhias aéreas.

O engenheiro civil Eduardo Stahlhoefer chegou com a mulher e dois filhos ao aeroporto na sexta-feira por volta das 6h. Como a filha tinha vestibular para Medicina no domingo, tentou um voo via Miami, que foi cancelado. A segunda opção foi tentar embarcar via Cidade do Panamá. Por fim, foi oferecido um voo da Delta para São Paulo. A família aguardou até a meia noite, quando o voo foi cancelado. O voo para a Cidade do Panamá acabou saindo no meio da madrugada. 

"Se arrependimento matasse. É lastimável, estamos sendo tratados como animais. Passamos a noite no chão. Ninguém fala o que está acontecendo. Ontem, mudaram o portão quatro vezes, a gente caminhou o aeroporto todo, até cancelarem o voo", disse Stahlhoefer. 

Andrew Gombert/Efe
AGX23 NUEVA YORK (EE.UU.) 03/01/2014.- Decenas de personas hacen cola para pasar un control de seguridad en el aeropuerto JFK de Nueva York, Estados Unidos, hoy, viernes 3 de enero de 2014. La ciudad de Nueva York amaneció hoy afectada pero no paralizada por la tormenta de nieve que afecta a la región noreste de Estados Unidos y que ha causado considerables complicaciones. A la una de la tarde (hora local) el JFK, que llegó a cerrar para poder despejar sus pistas, celebraba el primer despegue y el primer aterrizaje en sus pistas. Por su parte, LaGuardia restablecía de manera progresiva la regularidad en sus servicios. EFE/Andrew Gombert ORG XMIT: AGX23
Movimentação no aeroporto JFK, em Nova York, nesta sexta-feira (3)

O engenheiro contou que de madrugada o grupo de brasileiros teve que sair da área de embarque para fazer um novo check-in, para o voo previsto para a tarde deste sábado. "Não queriam deixar a gente embarcar de novo. Pediram para a gente dormir no saguão de entrada, onde não tem cadeiras nem aquecimento." 

O médico Daniel Boris Ghetler também enfrentou dificuldades por conta do frio. Ele disse que a companhia aérea queria que os passageiros deixassem o aeroporto, mas a temperatura na rua era de 12 graus negativos, a noite mais fria em muitos anos. "E não ofereceram hotel. Aliás, todos os hotéis estão lotados." 

O filho de Daniel também tinha uma prova marcada de residência médica. "Mesmo que ele chegue, estará muito cansado. A gente tentava argumentar com a empresa e três policiais intimidavam a gente, como se nós não fossemos vítimas." 

Outra reclamação dos brasileiros é a falta de informações. "Falam que a neve é todo o problema. Ontem muitos aviões subiram e desceram. Estava o famoso céu de brigadeiro durante todo o dia. Nosso avião estava estacionado e eles, depois de horas mudando de portão, informaram que o problema era que o horário da tripulação havia estourado", disse Daniel Ghetler. 

Durante a noite, um paramédico foi chamado para dar assistência a uma grávida de oito meses e uma senhora com crise de pressão alta. Uma ambulância foi colocada de plantão. 

Passageiros que estavam em um voo da American Airlines cancelado na noite de quinta-feira ainda aguardavam para voltar ao Brasil. Na madrugada de sábado, foram para um hotel. 

A analista de sistemas Vanessa Arnold fez sua primeira viagem internacional. Resolveu chegar com antecedência no aeroporto, por volta das 15h de sexta. A nova previsão para o seu voo é as 15h deste sábado. 

"Na ultima remarcação de portão, à meia-noite, cancelaram o voo. Disseram que não iriam prestar assistência, não dariam hotel. Falaram para pegarmos as malas e sair para fora do terminal, na parte fria do aeroporto. "
Vanessa ligou para o consulado do Brasil. "À noite distribuíram lanches, mantas e travesseiros. Todos dormimos no chão, inclusive crianças e idosos", relatou. "Às oito horas da manhã eu liguei para o consulado. Eles disseram que se deram cobertor, lanche e travesseiro, estavam nos atendendo. Eu pedi para mandar alguém. Ontem o cônsul veio para ajudar um voo da TAM. Prometeram entrar em contato." 

fonte/FolhaSP

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