domingo, 9 de março de 2014

NINGUÉM CONSEGUE EXPLICAR A CAUSA DO DESAPARECIMENTO DO AVIÃO DA MALAYSIA AIRLINES

Quase 24 horas depois do último contacto com o Boeing 777 da Malaysia Airlines, que partiu de Kuala Lumpur com destino a Pequim, ainda ninguém conseguia avançar uma explicação plausível para o misterioso desaparecimento da aeronave, nem - crucialmente - encontrar qualquer vestígio do seu paradeiro, apesar de uma complexa operação de busca e salvamento no mar do Sul da China.

Nenhum responsável quis pronunciar-se em definitivo sobre o destino das 239 pessoas que seguiam a bordo do avião – 227 passageiros, entre os quais cinco crianças com menos de cinco anos, e 12 membros da tripulação – mas ao fim de tantas horas de silêncio, parecia quase impossível acreditar que tivessem sobrevivido ao acidente. “Estamos consternados. As operações de busca e salvamento vão prolongar-se pelo tempo que for necessário”, prometeu o primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak.

Os meios marítimos e aéreos disponibilizados por seis países – aviões, helicópteros, fragatas e outras embarcações das Marinhas, Guardas Costeiras e Força Aérea da Malásia, Vietname, China, Singapura, Filipinas e Estados Unidos – apenas conseguiram localizar duas largas manchas de combustível, com uma extensão de cerca de 15 a 20 quilómetros e paralelas entre si, que são consistentes com o rasto que seria deixado por um jacto. A hipótese mais provável é que o avião se tenha despenhado no oceano.
“Dois dos nossos aviões detectaram duas estrias de combustível, de um comprimento de cerca de 15 a 20 quilómetros, paralelas e a cerca de 500 metros uma da outra”, declarou o general vietnamita Vo Van Tuan. A operação aérea foi interrompida durante a noite, mas as buscas no mar prosseguiram sem interrupções. Segundo o ministro dos Transportes da Malásia, Hishamuddin Hussein, “não deixarão de ser feitos todos os esforços possíveis para localizar o avião”, que contactou com terra pela última vez cerca de uma hora depois de descolar e desapareceu do radar um minuto antes de entrar na zona aérea do Vietname.

Embarcações da agência marítima da Malásia não encontraram qualquer sinal do avião na zona onde o avião estabeleceu contacto pela última vez. As operações estendiam-se por uma área de cerca de 240 quilómetros, ao largo da ilha vietnamita de Tho Chu, nas águas do mar do Sul da China. O ministro dos Transportes sublinhou que os meios no local estão a “investigar todos os ângulos possíveis”, baseados na informação fornecida pelo Exército do país e também pelas autoridades vietnamitas.

Fontes malaias ligadas à investigação citadas pela Associated Press disseram que, por enquanto, nenhuma causa foi determinada e nenhum cenário foi afastado para explicar a ocorrência – incluindo a possibilidade de se ter tratado de um acto terrorista. Em conferência de imprensa ao final do dia, o director geral de aviação civil da Malásia disse que uma revisão das imagens relativas ao embarque dos passageiros e das bagagens não tinha revelado “nada de anormal ou preocupante” ou qualquer sinal de sabotagem.

O voo MH370 da Malaysia Airlines partiu pouco depois da meia-noite de sábado da capital Kuala Lumpur – a rota para Pequim tornou-se um dos trajectos mais procurados da companhia detida maioritariamente pelo Estado malaio.

Segundo o presidente da Malaysia Airlines, Jauhari Yahya, na altura do último contacto, o voo MH370 encontrava-se a 120 milhas náuticas (cerca de 225 quilómetros) da localidade de Kota Bharu, na costa Leste da Malásia, e seguia a uma altitude de 35 mil pés. Como notava o especialista em aviação da CNN, Richard Quest, nessa fase (cerca de duas horas após a descolagem), o voo encontrar-se-ia na fase de “cruzeiro”, que é aquela que é considerada mais segura do ponto de vista da ocorrência de imprevistos ou vicissitudes. “Nessa altura do voo não é suposto que alguma coisa possa correr mal”, reparou.

A aeronave, com onze anos de uso, não enfrentou condições climatéricas adversas nem emitiu nenhum sinal de alerta ou pedido de socorro – à semelhança do que aconteceu com o voo da Air France que desapareceu no Atlântico Sul a 1 de Junho de 2009, e cujos destroços só foram encontrados dois dias depois. O piloto, identificado como Zaharie Ahmad Shah, de 53 anos, era um veterano da companhia, onde tinha acumulado mais de 18.3 mil horas de voo desde 1981. A Malaysia Airlines conta com 15 Boeings 777-200 na sua frota: como escreveu a Reuters, a companhia tem um bom registo de segurança, e está a recuperar de dificuldades financeiras . O último acidente fatal da companhia ocorreu em 1995, quando um avião se despenhou próximo da cidade de Tawau, matando 34 pessoas.

Os especialistas ouvidos pela CNN sublinharam que a aeronave em causa é “tão sofisticada quanto possível para um avião comercial”. O capitão na reforma Jim Tilmon assinalou que a rota (de 3700 quilómetros) entre Kuala Lumpur e Pequim é maioritariamente sobre terra, o que significa que muitas antenas, radares e rádios teriam teoricamente a capacidade de interceptar sinais do avião. A antiga inspectora-geral do Departamento de Transportes dos Estados Unidos, Mary Schiavo, disse à mesma estação que “a total ausência de comunicações sugere que algo muito errado ou funesto terá acontecido”.

Um dos fundadores do FlightRadar24, uma aplicação que tem 3000 transmissores em todo o mundo e diariamente segue mais de 120 mil voos, disse que o último registo do voo MH370 foi quando o avião seguia a 35 mil pés, 40 minutos depois de levantar do aeroporto de Kuala Lumpur. “O sinal estava bom e estável e de um momento para o outro simplesmente desapareceu”, disse Mikael Robertsson. “O que quer que tenha acontecido, foi qualquer coisa súbita e repentina.”

A Malaysia Airlines contactou as famílias de todos os passageiros indicados no manifesto de voo, e estabeleceu centros de assistência e aconselhamento no aeroporto de Kuala Lumpur e num hotel do bairro de Lido, em Pequim. A grande maioria dos passageiros do voo MH370 tinha nacionalidade chinesa (154), mas a bordo seguiam também cidadãos da Malásia (38), India (5), Indonésia (7), Austrália (6), Estados Unidos (3), França (4), Nova Zelândia (2), Ucrânia (2), Canadá (2), Rússia (1) e Holanda (1).

Os Governos da Itália e da Áustria esclareceram entretanto que duas pessoas cujos nomes constavam na lista de passageiros a bordo não embarcaram no voo: aparentemente alguém terá viajado com passaportes falsos. As autoridades consulares italianas em Phuket, na Tailândia, disseram já ter estabelecido contacto com Luigi Maraldi, que reside naquela ilha e renovou o passaporte depois de um roubo em Agosto de 2013. O cidadão austríaco, Christian Kozel, de 30 anos, reportou o roubo do seu passaporte durante uma viagem à Tailândia há cerca de dois anos.
A imprensa chinesa disse que entre os passageiros estavam 24 artistas e familiares que regressavam a casa depois de participarem num programa de intercâmbio em Kuala Lumpur. O governo da província de Sichuan informou que um dos mais conhecidos calígrafos do país, Zhang Jinquan, seguia a bordo.

Em Julho de 2013, um Boeing 777 da Asiana Airlines com 291 passageiros a bordo teve um acidente no aeroporto internacional e San Francisco, nos Estados Unidos, no qual morreram três pessoas. Não foi possível ainda apurar se o desastre se deveu a alguma falha mecânica ou problema estrutural da aeronave – as investigações parecem apontar para um problema de comunicação no cockpit como a causa do acidente.

Em comunicado, a construtora norte-americana informou que uma equipa técnica viajaria para a Malásia para assistir as autoridades na investigação.


fonte/Publico.pt

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