O AVIÃO É PRATICAMENTE A MINHA PRIMEIRA CASA, DIZ APAIXONADO POR VOO

 

O piloto José Marcelo Morandi ao lado do avião: "praticamente a minha primeira casa" (Foto: José Marcelo Morandi/Arquivo pessoal)O piloto José Marcelo Morandi ao lado do avião: "praticamente a minha primeira casa" (Foto: José Marcelo Morandi/Arquivo pessoal)
Eu vivo mais perto ou dentro do avião do que em minha própria casa”. A frase do piloto e instrutor de voos José Marcelo Morandi, 43 anos, mostra como é a vida de um apaixonado por aviões. Trabalhando há 20 anos na área de aviação agrícola na região de Londrina, no norte do Paraná, ele afirma que o trabalho é praticamente uma diversão.
“Minha primeira casa é o avião. Para ajudar, minha mulher trabalha comigo na empresa de aviação. E não reclamo nenhum pouco de viver assim. Trabalhar com avião para mim é ganhar dinheiro se divertindo”, diz.
A escolha da profissão surgiu ainda criança, incentivado pelo pai e outros familaires. “Eu voava com ele quando era pequeno, sempre gostei de avião e já sabia desde criança que faria isso como profissão”, afirma Morandi.
Do mesmo jeito que foi incentivado pelo pai, Morandi já começa a despertar a paixão pelo voo no filho de oito anos. "Ele já viaja comigo, gosta do avião. Vai ser mais um apaixonado pela aviação", comenta.

Aviação agrícola
A aviação agrícola é uma das áreas que o piloto pode escolher após completar os cursos de formação. Para Morandi, é o setor no qual o piloto é mais exigido. “É preciso uma atenção maior, já que você passa muitas vezes com quatro, cinco metros do chão. É mais arriscado e exige muito mais do piloto”, explica.


Aos interessados, o piloto lembra que é a área com menor “mordomia”. “Ali não tem terno, gravata, conforto. Você usa macacão, come onde conseguir parar, tem que pousar em pistas alternativas, sem grande estrutura”, conta. “Porém, é na aviação agrícola que você mais aprende. Para quem gosta mesmo de aviação, é o lugar certo. Sobra adrenalina”, diz o piloto.

"É preciso ter paixão pelo voo", diz o professor e instrutor de voo Jonas Liasch Filho  (Foto: Jonas Liasch Filho/Arquivo pessoal)"É preciso ter paixão pelo voo", diz o professor e instrutor
de voos Jonas Liasch Filho (Foto: Jonas Liasch Filho/
Arquivo pessoal)

“A aviação está no sangue”
O professor e instrutor de voo Jonas Liasch Filho faz parte dos apaixonados por voo. No seu caso, ele diz que é praticamente genético. “Meu pai e minha mãe trabalhavam em companhias aéreas e se conheceram em um aeroporto. Então, a paixão pela aviação está no sangue”, conta.
Quando era criança, Liasch lembra que colecionava e lia tudo sobre aviões. “Eu ia na biblioteca e estudava sobre motores de avião, sobre a aerodinâmica, modelos, tudo que era possível. Sempre tive esse interesse”, recorda.

A aviação se tornou a profissão definitiva em 2000. “Eu já tinha feito o curso de piloto em 1993, mas seguia trabalhando como bancário. Chegou uma hora que a paixão bateu mais forte e decidi viver apenas da aviação. Talvez não tenha compensado financeiramente. Porém, tenho certeza que a minha satisfação é muito maior”, afirma.
O sonho de Jonas Liasch Filho agora é construir o próprio avião. “Preciso conseguir tempo e dinheiro. Mas está nos planos”, diz.

Paixão e estudos
Para Liasch, a pessoa não pode ser piloto apenas pela profissão. “É preciso ter paixão pelo voo. Quem quer fazer o curso apenas pela questão financeira, não consegue ir longe. Na primeira instabilidade no voo, vai pensar duas vezes se quer aquilo ou não”, opina. Segundo Liasch, o salário inicial de um piloto é em média R$ 6 mil.


O professor lembra ainda que o futuro piloto deve se preparar e estudar muito. "Sempre surgem novidades na aviação. A pessoa precisa ficar antenada, sempre buscando se atualizar sobre o assunto. Quem entra para essa área não para de estudar nunca", afirma.

"Estar entre os aviões é uma alegria", diz o piloto e empresário Leonardo Miyamoto (Foto: Rodrigo Saviani/G1)"Estar entre os aviões é uma alegria", diz o piloto e empresário Leonardo Miyamoto (Foto: Rodrigo Saviani/G1)

“Rato de aeroporto”
O empresário Leonardo Miyamoto, de 38 anos, é mais um dos que transformaram a paixão pelo voo em profissão. “Quando eu era pequeno, era ‘rato de aeroporto’. Parece que a gente nasce com essa vontade de voar. Quando eu era criança, a maioria dos meus brinquedos eram aviões”, conta.
Após passar alguns anos no Japão, Miyamoto foi atrás de realizar seu sonho. Fez o curso de piloto privado e é formado em ciências aeronáuticas. Montou uma empresa com dois amigos, na qual faz assessoria aeronáutica.  “Sem dúvidas, a minha profissão é praticamente um hobby. Estar entre os aviões é uma alegria”, afirma.
Para ele, a melhor sensação foi a do primeiro voo sozinho. “É algo inexplicável. Lembro que assim que o avião subiu eu comecei a gritar, vibrar, tamanha a euforia com aquele momento. O mesmo acontece quando você vai pousar. Naquela hora, é só você e Deus”, recorda.
A paixão, que veio por influência de um tio que tinha um avião, começa a ser transmitida aos filhos. “O meu filho mais novo, de um ano, é o que mais se empolga. Os outros, de 10 e 14 anos, também gostam muito. Estão virando ‘ratos de aeroporto’ também”, diz Leonardo Miyamoto.

Curso atrai 100 pessoas por ano
Cerca de 100 pessoas se inscrevem por ano no curso de piloto privado do Aeroclube de Londrina. Parte deles busca apenas uma profissão e querem entrar em uma nova área de trabalho. Porém, para a maioria, é a chance de realizar o sonho de voar e fazer da paixão por aviões uma forma de trabalho.
Para chegar a ser piloto, segundo o Aeroclube, a pessoa precisa ser maior de 18 anos e ter o ensino médio completo. O interessado terá que passar primeiro por exames e obter o Certificado Médico Aeronáutico (CMA), comprovando que está apta para fazer o curso.
O aluno deve fazer primeiro o curso de Piloto Privado de Avião (PPA), destinado para quem deseja apenas pilotar um avião particular. É preciso fazer o curso teórico, que tem duração de quatro meses, além de fazer uma prova da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). São exigidas ainda 40 horas de voo, feitas após o curso e a prova.
Para quem deseja trabalhar como piloto deve fazer ainda o curso de Piloto Comercial. São mais cinco meses de curso, uma nova prova da Anac, além de mais 110 horas de voo.
O custo para o curso de piloto privado é de R$ 2,2 mil. Já o curso para piloto comercial custa R$ 2,5 mil. A hora do voo custa a partir de R$ 315, dependendo do avião.

Serviço - Aeroclube de Londrina
Endereço: Avenida Santos Dumont, 1700, Aeroporto - Londrina (PR).
Atendimento: Segunda a sexta-feira, das 8h às 19h30; sábado, das 8h às 12h.
Contato: (43) 3325-8751.

fonte/foto/G1/PR



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