EVERJETS NEGA LIGAÇÕES COM DEMISSÃO DO PRESIDENTE DA ANPC

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A empresa portuguesa Everjets esclareceu nesta quarta-feira, dia 7 de setembro, que “nada tem a ver com as conclusões do inquérito da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI)” sobre a gestão dos meios aéreos, e “nem a sua atuação e comportamento foram alvos desse inquérito”.

Em comunicado, a Everjets refere que, tanto quanto foi possível saber, as conclusões do inquérito da IGAI e as suas consequências referem-se à forma como foi feita a receção dos aparelhos (helicópteros Kamov) pela  (ANPC), os quais eram anteriormente operados pela Empresa de Meios Aéreos e mantidos pela Heliportugal.

“Se a Everjets tem alguma responsabilidade no assunto foi na recusa em receber os aparelhos no ato de consignação, devido ao estado calamitoso que os aparelhos apresentavam. Foi devido a essa recusa, baseada em inspeções realizadas por entidades competentes e independentes, a pedido e por conta da Everjets, cujos relatórios foram entregues à ANPC, que a ministra da Administração Interna do anterior governo ordenou a realização do inquérito pela IGAI”, refere a empresa.

A Everjets entende que seria “muito útil”, para o conhecimento da verdade e das responsabilidades de todas as partes, “a divulgação pública” do relatório do inquérito da IGAI.

“A Everjets defende que deve haver uma investigação à forma como os Kamov foram adquiridos, por quem, quem ganhou com isso, quanto e em que circunstâncias. A investigação deve ainda abarcar a forma como os Kamov foram operados, que tipo de manutenção era feita, que sobressalentes eram utilizados e como e a quem esses sobressalentes eram adquiridos, e como, por via da deficiente manutenção, é que era posta em causa a integridade física dos pilotos e demais agentes de proteção civil, além dos civis que utilizavam os Kamov”, enfatiza a empresa.

De todos estes problemas, a Everjets assegura que há provas documentais, que foram oportunamente apresentadas ao Estado, designadamente à ANPC, Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) e IGAI.
“Aguardamos que, a bem da proteção dos bens públicos e da legalidade e da justiça, haja uma investigação judicial que apure os culpados e os faça pagar na Justiça a sua incúria e falta de seriedade”, solicita a Everjets.

Inquérito sobre a gestão dos meios aéreos seguiu para o Ministério Público
Na terça-feira, dia 6 de setembro, a atual ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, revelou em Lisboa que seguiram para o Ministério Público (MP) os resultados do inquérito sobre a gestão dos meios aéreos, que incluiu os helicópteros Kamov.
“Está a decorrer também um processo judicial no Ministério Público. Achámos por bem também enviar alguns resultados do inquérito para o MP”, afirmou Constança Urbano de Sousa, em declarações nas instalações da ANPC.

Na sequência do inquérito realizado pela IGAI, a pedido do anterior Governo, o presidente da ANPC, Francisco Grave Pereira, demitiu-se do cargo.

“Este pedido de demissão surge na sequência do inquérito da IGAI à gestão dos meios aéreos instaurado pelo anterior Governo”, adiantou a ministra, sublinhando que aceitou a sua exoneração.

Constança Urbano de Sousa escusou-se em avançar os resultados do inquérito, justificando com a sua confidencialidade, mas esclareceu que a averiguação da IGAI está relacionada “exclusivamente com a forma como foram geridos os meios aéreos”.

Em junho de 2015, a então ministra Anabela Rodrigues determinou à IGAI a abertura de um inquérito relacionado com os problemas dos helicópteros Kamov, após a ANPC ter detetado problemas “graves no estado das aeronaves”, que ditaram “a impossibilidade de os helicópteros estarem em plena condição de serem operados”, durante o processo de transferência dos Kamov para a empresa que ganhou o concurso público de operação e manutenção dos aparelhos.

O inquérito incidia sobre “as circunstâncias descritas e apuradas durante o processo de consignação dos meios aéreos próprios pesados do Estado, tendo em vista o apuramento de responsabilidades a que haja lugar nesse âmbito”.

Durante o processo de transferência para a empresa que ganhou o concurso público, foi verificada “uma série de não conformidades graves no estado das aeronaves”, estando apenas operacionais, na altura, um dos seis helicópteros.
Atualmente, apenas três estão aptos para voar, estando dois inoperacionais, um por avaria e outro acidentado desde 2012.

Em junho passado, na comissão parlamentar de Agricultura e Mar, o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, disse que os helicópteros Kamov inoperacionais continuavam por reparar, estando o processo de manutenção e reparação destas aeronaves a ser investigado pelo MP.

Em janeiro, a Polícia Judiciária realizou uma dezena de buscas em Lisboa, Porto e Portalegre, nomeadamente na sede da ANPC, para obtenção de provas relacionadas com contratos públicos de aquisição e manutenção de aeronaves para combate a incêndios.

A Everjets foi a empresa que ganhou o concurso público internacional de operação e manutenção dos helicópteros Kamov do Estado para quatro anos, num valor superior a 46 milhões de euros, sendo anteriormente a Heliportugal a empresa responsável.

Com a extinção da Empresa de Meios Aéreos (EMA), em outubro de 2014, a ANPC ficou responsável pela gestão dos contratos de operação e manutenção dos meios aéreos próprios do Estado, em que se incluem os aviões e helicópteros que estão empenhados no combate aos incêndios florestais e outros aparelhos distribuídos ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

fonte/foto/NewsAvia

  • Texto distribuído pela agência noticiosa portuguesa Lusa

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