segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

FALHAS DO PILOTO RESULTARAM EM ACIDENTE QUE MATOU FERNANDÃO, APONTA RELATÓRIO


Falhas do piloto resultaram em acidente que matou Fernandão, aponta relatório Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás/Divulgação
 
Cinco pessoas estavam no helicóptero Foto: Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás / Divulgação
 
Uma série de imprudências resultou no acidente aéreo que ceifou a vida de Fernandão, aos 36 anos. O relatório da tragédia, elaborado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Aeronáutica, indicou uma sucessão de pequenos erros do piloto Milton Ananias e afastou a possibilidade de falha mecânica no helicóptero em que viajava o ídolo colorado.

Fernandão e mais quatro pessoas, entre elas o aviador, morreram no acidente ocorrido na madrugada de 7 de junho de 2014, em Aruanã (GO). O ex-jogador e amigos pescavam e jogavam cartas em um acampamento em uma ilhota no meio do Rio Araguaia – no período de secas da região, formam-se pequenas praias ao longo do rio. O voo fatal, às 1h27min, levaria o grupo ao centro de de Aruanã. Depois, Fernandão pretendia retornar para sua casa em Goiânia.

Zero Hora teve acesso ao relatório de Cenipa, concluído em setembro. Conforme a investigação realizada pela Aeronáutica, o voo não poderia ter ocorrido. O piloto estava com o Certificado de Aeronavegabilidade em dia, porém não possuía habilitação de voo por instrumentos e a aeronave, um Esquilo AS 350BA, não era homologada para esse tipo de operação. Os dois avais eram indicados para realizar o voo a partir de um banco de areia no meio do rio, local ermo e sem iluminação, que também não era homologado ou registrado.

O relatório descreve que as condições meteorológicas eram favoráveis e o vento calmo. O documento descartou falhas no motor durante a decolagem e não identificou anormalidades nos comandos de voo e no sistema hidráulico da aeronave, que pertencia à Planalto Indústria Mecânica, empresa do ex-jogador e de seu sócio, Alberto Nunes.

O Esquilo caiu 430 metros após o ponto da decolagem, ao lado do acampamento. Na escuridão da madrugada, o helicóptero subiu na vertical até 10 metros de altura, fez um giro de cauda à direita, deslocou-se na horizontal a 30 metros de altura e tombou, chocando-se direto com o solo, sem bater em nada no ar. O Cenipa entendeu que, possivelmente, a ausência de referências visuais no setor de decolagem ocasionou a desorientação do piloto, levando-o a atuar nos comandos de voo de forma inadequada, ultrapassando os 30° de inclinação a cerca de 30m do solo.

O relatório destaca que Ananias não cumpriu o período indicado para adaptar sua visão à escuridão. A investigação também afirma que a aceleração do Esquilo durante a decolagem ¿pode ter criado no piloto uma forte sensação de que o nariz da aeronave movia-se para cima de forma excessiva, quando, de fato, isso não estava acontecendo¿. O sentimento errôneo teria feito com que Ananias levasse o bico da aeronave para baixo, ocasionando a queda.
— Ocorreu uma sucessão de pequenos equívocos. O piloto foi vítima de desorientação espacial, quando não há noção do horizonte. Antes de decolar, ele saiu de local iluminado e foi para um local escuro, o que potencializa a desorientação. Houve uma falha de procedimento. Não foi falha de pilotagem — avalia o tenente-brigadeiro José Carlos Pereira, ex-comandante de Operações Aéreas da Aeronáutica.

Cláudio Roberto Scherer, comandante aposentado da Varig e instrutor do curso de Ciências Aeronáuticas da PUCRS, entende que o relatório do Cenipa aponta para falha humana. Contudo, Scherer destaca que outras variáveis devem ser levadas em conta na conduta de Ananias.
– O piloto profissional tem o dever de dizer não, de alertar que o voo naquela situação era perigoso. Por vezes, a pessoa não se acha com autoridade suficiente para dizer não, pois acha que corre o risco de perder o emprego – avalia o professor.

Em um trecho o relatório indica que ¿é possível que o piloto não tenha negado a realização do voo noturno ao seu patrão, ainda que estivesse fora da regulamentação, motivado pela intenção de manter seu emprego e o vínculo com a atividade aérea.

A investigação não conseguiu determinar se contribuiu para tragédia a fadiga de Ananias. Coronel reformada da PM de Goiás e experiente aviador, Ananias apresentou-se para o trabalho por volta de 10h20min de 6 de junho e decolou meia hora depois. Pousou em uma residência em Aruanã, às 13h44min, descansou das 14h às 19h.

Entre 19h26min e 19h36min, realizou o deslocamento até o acampamento no Rio Araguaia, onde ficou por mais de cinco horas - exames toxicológicos indicaram que não houve consumo de álcool ou estimulantes. O acidente ocorreu à 1h27min do dia 7, 1h37min após o horário em que a jornada deveria ter sido finalizada (23h50min).

Zero Hora tentou contato com Alberto Nunes, sócio da empresa Planalto, proprietária da aeronave, porém ele não foi localizado. O acidente com o ídolo colorado também foi investigado pela Polícia Civil de Goiás, que concluiu o inquérito sem apontar culpados pelo acidente. Segundo a Assessoria de Comunicação do órgão, o caso está com o Ministério Público, que poderá decidir pela continuidade das apurações a partir do relatório do Cenipa.

fonte/foto/ZeroHora

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