A VIDA DOS ÓRFÃO DA TRAGÉDIA NOS AÇORES
Se lhe perguntarem o que quer para o seu futuro, Alylne, um dos órfãos guineenses do desastre de avião que matou há precisamente dez anos 35 pessoas no Pico da Esperança, diz sempre o mesmo: ser rico e comandante de um navio. Hoje com 14 anos, mas apenas com quatro quando mãe e pai morreram no fatídico voo que esbarrou contra a mais alta montanha de São Jorge, aquele jovem não demorou muito até interiorizar a ideia de que tem, desde 1999, uma outra mãe, Valentina Pereira. Também conhecida como a imigrante do continente português que se radicou na Fazenda das Lajes, Flores, e se tornou conhecida pelos cozinhados transmontanos que dá a provar no seu restaurante. Alylne, que frequenta o 8º ano, tem uma natureza mais extrovertida, curiosa e orgulhosa, enquanto João Paulo, o irmão mais velho de 17 anos, representa o carácter oposto. "Mais calado e sério", conta Valentina. Talvez por uma questão de feitio e, devido à sua idade, por se lembrar melhor da mãe e de sentir ...